quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Jane Eyre


Nome: "Jane Eyre"

Autora: Charlotte Brontë

Nº de Páginas: 415

Editora: book.it

Sinopse: «Tido como autobiográfico, Jane Eyre é um marco da emancipação feminina. Uma menina infeliz, órfã de pai e mãe, obrigada pela força das circunstâncias a viver com uma tia que a odeia, é enviada para um colégio interno, onde se destaca como uma das melhores alunas da instituição e, mais tarde, como professora. Sem nada que a prenda ao colégio e ávida de independência, Jane torna-se preceptora de Adéle, pupila de Mr. Rochester, o proprietário de um imponente castelo por quem se apaixona e com quem decide casar-se. Contudo, no dia do enlace descobre que ele já é casado e que a sua mulher está viva. Perante a revelação, Jane resolve fugir. É acolhida pelos Rivers e na casa deles toma conhecimento da morte de um tio que lhe deixou uma fortuna e do parentesco que a une àquela família. Decide, então, dividir a herança com os primos e procurar Mr. Rochester, o seu amor perdido. Algures entre o realismo e a ficção, Jane Eyre é, mais do que um romance (o mais afamado de Charlotte Bronte), uma lição de vida.»

Opinião: Jane vive com os tios desde que perdeu os seus pais. Mr. Reed, irmão da mãe de Jane, ao falecer, incute a esposa a tomar conta da sua sobrinha e a dar-lhe um futuro risonho. Contudo, as coisas acabam por se desenrolar de forma contrária ao que o tio poderia idealizar, pois o seu filho mais velho é hostil para com Jane, agredindo-a e ofendendo-a, sendo que a mulher não gosta igualmente de Jane, acabando por enviá-la para uma instituição de caridade. Ao ser tratada desta forma, Jane acaba por se tornar indignada para com injustiças, vincando a sua personalidade para sempre.

Depois de oito anos na instituição, Jane vai trabalhar para casa de Mr. Rochester, onde conhece a verdadeira acepção da palavra casa, amizade e amor. É graças a Thornfield que cria amizades que durarão para toda uma vida, onde conhece o amor e que compreende que a felicidade é possível.

Gostei bastante da estória, desde os primeiros momentos em que a Jane era uma menina renegada pela família, que a devia adorar e estimar, como toda a criança merece. Desde cedo consegui sentir uma ligação forte com ela, por um lado porque mesmo sendo uma menina quando se inicia a obra tem já uma forma de se expressar e ideais de um adulto. Sendo tímida, reservada e calada, aspectos que tem em comum comigo, o que me fez sentir ainda mais ligada a ela. Além disto é uma obra escrita na primeira pessoa, onde acompanhamos o crescimento de Jane e o amadurecimento da sua personalidade. Tudo aspectos que nos fazem sentir ainda mais ligados a esta menina.

Achei o Mr. Rochester um homem interessante, misterioso, mas ao mesmo tempo um pouco estranho. Embora compreenda perfeitamente o porquê de tal aspecto, as suas mudanças de humor fizeram-me alguma confusão. Contudo, o amor é mesmo assim. Amar alguém sem ligar a defeitos. Neste aspecto Jane tem muita razão, quando amamos alguém, parece-nos sempre perfeito.

Os aspectos positivos são toda a estória em si, que achei agradável e até diferente. A linguagem que é acessível e bastante agradável e claro a personalidade da Jane, que me agradou bastante, tanto por ser uma rapariga independente e forte, mas também porque ia contra ao que era comum no século XIX. Outro facto que considero positivo foi o facto de retratar um pouco a vida das Brontë, pois a Charlotte e as irmãs viveram num internato, sendo que duas delas morreram de tuberculose e também Charlotte, tal como Jane, era preceptora. Aspectos que tornaram a estória ainda mais interessante.

Em relação aos aspectos negativos, se calhar a revisão do livro, que tinha algumas gralhas, que embora não sejam graves, tornaram o ritmo de leitura mais lento. Outro aspecto negativo foi ter visto a série antes de ler o livro, o que possivelmente influenciou a minha cotação, pois já sabia como se iriam desenrolar os acontecimentos.

Foi, assim, um livro que me deu bastante prazer a ler, ainda para mais tendo sido uma leitura conjunta, o que me faz sempre apreciar os livros de forma diferente. Gostei de tal forma desta obra que fiquei curiosíssima em ler algo mais das irmãs Brontë.

Podem também ler a opinião da minha parceira de leitura, a p7 do blogue Bookeater/Booklover

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

Leitura Conjunta - "Jane Eyre" de Charlotte Brontë (3ª Parte)

A fase inicia-se com a preparação de Jane para o casamento e a ida para a igreja do casal. Vê-se desde o início do dia que Edward se encontra tremendamente nervoso e com uma vontade incessante de apressar o casamento. Se até ao momento não suspeitássemos que algo se passava, estas atitudes colocavam-nos logo com suspeitas.

No momento em que se estão a casar aparece um advogado juntamente com Mr. Mason que afirmam que o casamento não se pode realizar devido a Mr. Rochester já ser casado, com a irmã de Mason, Bertha. Na igreja Edward explica aos ouvintes o porquê de ter querido casar com Jane, mesmo tendo uma mulher em casa. Graças a este episódio ficamos a conhecer um pouco mais de Edward e o quanto ele passou ao longo dos anos. Novamente penso que o facto não justifica ter mentido à preceptora e querido ter uma vida de bigamia, mas não posso afirmar que não compreendo de todo a sua opção porque deve ter sofrido bastante e só ele sabe o que teve de atravessar praticamente sozinho.

Mr. Rochester como forma de refutar o que afirmava leva-os a visitar o terceiro piso onde se encontra aprisionada a mulher. Quando chegam ao quarto encontram Grace Poole junto ao lume a tomar conta de uma caçarola e uma mulher a rugir de pés e mãos no chão. Esta foi uma personagem que me deixou com alguma pena porque claramente não é culpa dela se ter tornado daquela forma, pois deveria ter tido um acompanhamento que não era possível ter naquele tempo.

Jane decide então partir da mansão, mas não sem antes perdoar Rochester pelo seu acto. Novamente sentimos o seu grande coração porque não sei se seria capaz de perdoar assim tão facilmente como ela fez. Olhando como leitora confesso que fiquei entre dois sentimentos contraditórios entre a pena pelo que tinha sofrido e passado ao longo dos anos e o “ódio” pelo que fez passar a Jane e por ter sido egoísta ao ponto de quase só pensar em si, quando escolheu esconder a mulher da preceptora.

Foge de Mr. Rochester e durante dois dias vê-se desamparada, sem ter abrigo ou o que comer, até que vai ter a casa dos Rivers que a acolhem e a ajudam na sua recuperação. As irmãs Rivers, Mary e Diana mostram-se ser cultas, generosas e extremamente simpáticas, o que leva Jane a gostar imediatamente delas, chegando a estudar alemão e desenho juntas. St. John, irmã de ambas, já é mais estranho, bastante inteligente, mas taciturno e calado. Existe uma rapariga na aldeia onde vive que gosta dele e penso que ambos poderiam chegar longe juntos, visto que ela tem dinheiro e influência e ele tem um grande coração e adora ajudar os outros, mas teimoso como é, decide tornar-se missionário e rumar à Índia, de modo a poder ganhar um lugar ao lado do Senhor, como ele mesmo afirma.

St. John arranja um emprego a Jane como professora da aldeia e confere-lhe uma casa. Numa das visitas que lhe faz descobre que afinal o seu nome verdadeiro é Jane Eyre através de uns papeis que usou para realizar um dos seus desenhos, descobrindo que é afinal sua prima e que o tio da Madeira ao falecer lhe deixou toda a sua fortuna. Jane iria, assim, adquirir 20 mil libras, mas decide em vez disso dividir o dinheiro pelos quatro, ficando, a cada um, 5 mil libras, por achar mais justo.

Ao aproximar-se a data de rumar à Índia St. John decide pedir Jane em casamento, embora de uma forma muito pouco romântica, dando-lhe a entender que seria a pessoa mais indicada para o ajudar no seu trabalho missionário. Jane resiste, mesmo tendo ele insistindo inúmeras vezes, dizendo-lhe que poderia ir com ele, mas nunca como esposa. O que tendo em conta o feitio do primo foi, sem dúvida, uma opinião bastante sensata.

Quando St. John parte para resolver uns problemas que tem pendentes, deixa Jane a pensar no seu pedido de casamento, mas a prima pressente que Mr. Rochester precisa dela e parte para Thornfield.

Quando chega é informada que Thornfield se encontra em ruínas e que Bertha faleceu no incêndio, que ela mesma ateou. Mr. Rochester encontra-se cego e sem uma mão devido a tentar salvá-la do mesmo. Ruma então para Ferndean onde é a nova casa dele, onde ao avistar o seu amado, sente pena por ver o seu espírito tão alegre e vivo, de momento apagado devido aos infortúnios que a  vida lhe proporcionou.

Casam-se e têm uma vida bastante feliz juntos, onde finalmente são como iguais e podem viver juntos sem recear nada nem ninguém. Felizmente momentos antes de terminar a obra ficamos a saber que Edward começa a voltar a ver e a poder ser mais autónomo.

Os momentos finais da obra são dedicados a St. John, onde ficamos a saber que faleceu pela sua missão e por Deus, que era o que ele tanto desejava.


Podem também ler a opinião da p7, no seguinte link: Leitura Conjunta - Jane Eyre, 3ª fase.

Aquisições de Agosto

Este mês portei-me um pouco mal nas aquisições, pois mesmo tendo cingido as mesmas a promoções, acabei por adquirir livros em demasia, ainda para mais tendo em conta a promessa que fiz de comprar menos livros e ler mais os que já possuo em lista de espera. Fica aqui o voto que no mês de Setembro me vou tentar conter...



Numa ida ao Continente não consegui resistir em trazer este três livros que se encontravam em promoção, com 20% de desconto. "Antes de adormecer" de S. J. Watson foi um livro que desde que saiu para o mercado me chamou à atenção pela sua sinopse, que prometia uma viagem e tanto. As opiniões que tenho lido pela blogosfera confirmam-no e, como tal, espero conseguir lê-lo entretanto. 
"Quando sopr@ o vento norte" de Daneil Glattauer foi um livro que conheci através da Patrícia, do Pedacinho Literário. Livro esse que já tive o prazer de ler e que gostei bastante. Aguardo ansiosamente a sua continuação.
"Huck" de Janet Helder, foi um livro comprado por puro impulso... Há muito tempo que não comprava um livro por causa da capa, mas não resisti em trazer este, pois o cãozinho da capa é bastante parecido com a minha Fofinha quando pequena. :)



"Rebeldes" e "Rumores" de Anna Godbersen adquiri através do Livro da Semana da Presença. Estes livros chamaram-me a atenção tanto pelas sinopses, como pelas capas, que acho fantásticas. :)
"Escândalo" de Penny Vicenzi foi adquirido também numa campanha, mas desta vez da Fnac, por sugestão da Filipa, d' O Labirinto dos Livros.




Da editora book.it "O Monte dos Vendavais" de Emily Brontë, que me foi aconselhado por algumas pessoas e que estando mesmo a terminar o "Jane Eyre" me parece uma óptima aquisição.
Por fim, "O Perfume da Savana" e "A Mulher do Capitão" de Ludgero Nascimento dos Santos, a quem tenho de agradecer a amabilidade em enviar-me os livros. :) 

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

45 Dias de Desafios Literários


Terminou um dos desafios mais interessantes e quiçá difíceis que já tive o prazer de realizar. 


Houveram dias em que as respostas foram quase automáticas, mas outros em que tive de pensar bastante nas suas respostas e que ainda agora não sei se foram as mais adequadas. Foi uma grande experiência, por ter sido bastante desafiante, mas também por me permitir recordar algumas grandes obras e o que as mesmas me fizeram sentir.

Hoje sinto que havia um dia ou outro que responderia diferente, por isso gostava de mais tarde voltar a repetir o desafio e ver até que ponto as respostas se tonariam ou não variáveis...


sábado, 27 de agosto de 2011

45 Dias de Desafios Literários - Dia 45: Próximo Livro a Ler


 

Ainda não sei bem qual dos dois será, mas a minha escolha residirá entre o "Huck" de Janet Elder ou "A mulher do capitão" de Ludgero dos Santos. :)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

45 Dias de Desafios Literários - Dia 43: Livro que marcou a infância

Responder a este dia não foi uma tarefa fácil porque em pequena não tinha por hábito ler. Como já mencionei aqui no blogue, algumas vezes, fez este mês dois anos desde que entrei no mundo literário... 

Lembro-me que li alguns livros que me deram a mim e ao meu irmão mais velho, como "João e o Pé de Feijão", "Branca de Neve e os 7 Anões", "Bela Adormecida" e "Capuchinho Vermelho", mas não posso afirmar que nenhum desses me tivesse marcado de alguma forma.

O primeiro livro que tive foi-me oferecido quando tinha 8 anos, que era do Tom and Jerry e se calhar é o que mais se adequa a este dia, porque me foi oferecido por alguém que marcou a minha educação e até a minha infância e porque foi a primeira pessoa que me mostrou que poderia gostar um dia de ler por prazer.

Depois disto sei que li alguns policiais, mas não me recordo de títulos, nem tão pouco de autores e nem possuo actualmente os livros em questão...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Leitura Conjunta - "Jane Eyre" de Charlotte Brontë (2ª Parte)

Mr. Rochester pede que Jane vá juntamente com Adèle à biblioteca vê-lo, para a pequena receber a sua tão aguardada prenda, sendo também um pretexto para poder falar mais profundamente com a preceptora. Desta conversa Mr. Rochester mostra-lhe um lado que até então não conhecia, explicando-lhe que os infortúnios porque atravessou são a justificação para se ter tornado alguém mais reservado e com maior receio de se ligar às outras pessoas. Desta conversa a relação entre ambos começa a estreitar-se e Rochester fica encantado com a frontalidade, simplicidade e talento de Jane.

Alguns dias mais tarde explica à mesma quem é na verdade Adèle, na qual lhe conta quem era a sua mãe e porque a acolheu ele. Ficamos, assim, a saber que supostamente Adèle é filha bastarda do dono da casa e que a mãe a deixou a seu cuidado. É também nesta altura que Jane começa a perceber que nutre sentimentos mais profundos pelo seu patrão, dizendo até que não lhe parece tão mal encarado como no início. Como ela diz e bem “a beleza está em quem a vê”.

Na noite em que percebe quão aprazível é para si a companhia de Rochester, ouve um riso fantasmagórico fora do quarto e ao sair do mesmo, de modo a ver o que se passava, sente um cheiro a fumo e salva o patrão de ser queimado vivo. Se já suspeitava que algo de muito errado se passava na mansão, isto só veio dar-lhe ainda mais certezas disso mesmo, começando a pensar que Grace Poole, a estranha costureira da casa, é a causadora de todos os males e sons que costuma ouvir pela casa. Começando a perguntar-se porque permanece nela, se é causadora de tais infortúnios.

No dia seguinte a tal acontecimento Jane encontra-se a pensar no olhar que Edward Rochester lhe lançara e no que o mesmo podia significar, quando descobre que ele partira para um local distante, onde acaba por ficar alguns meses. Quando retoma traz consigo vários amigos, que ocupam também eles a sua casa, durante algum tempo, onde os serões são uma constante, os jogos, as conversas e insinuações. Entre os convidados encontram-se as Ingram, que são pessoas arrogantes, tratando Adèle de forma bastante mesquinha e desprezando as pessoas com um estatuto menor que o delas. Sendo ainda que existem rumores que Mr. Rochester poderá casar com Miss Blanche Ingram.

Durante estas visitas chega a Thornfield um estranho, Mr. Mason, que deixa o patrão aflito e que durante a noite acaba por ser atacado pela pessoa que vive no terceiro andar da mansão. Quando Jane é chamada lá para ajudá-lo, não tenta perceber o que se passa. Compreendo que tivesse medo, depois do que a pessoa fez a Mason até eu teria receio, mas penso que tentaria de alguma forma perceber o que se passava, nem que fosse perguntando, visto que ela é tão frontal e curiosa.

Enquanto isto, é chamada a Gateshead pela tia, que está a morrer e diz querer vê-la uma última vez. Encontrando umas primas igualmente mimadas, embora em termos físicos bastante distintas, de tal modo que quase não as reconhece e um tia arrependida pelo mal que lhe fez e que lhe conta que tem um tio rico da parte do pai que a procurou, mas que foi informado que havia falecido na instituição de caridade durante o surto de Febre Amarela, em modo de vingança. Jane perdoa-lhe tal acto e até sente alguma pena pelo sofrimento envolvido na morte da tia.

Jane regressa então a Thornfield, onde se apercebe que sentiu realmente saudades da casa e das pessoas que nela habitam. Nesse momento Mr. Rochester pede-a em casamento e explica-lhe que só a fez pensar que se ia casar com Miss Ingram para lhe fazer ciúmes.

Mr. Rochester tenta a todo o custo dar-lhe presentes, vestidos caros, jóias, sem pensar que Jane é demasiado simples para esses luxos e que isso é o que ela menos deseja. Gostei bastante desta parte porque demonstra muito daquilo que ela é e comprova a quem pensasse o contrário, que aquilo que ela quer realmente é o amor da pessoa de quem gosta e que é demasiado independente para viver às custas de alguém, com isto em mente decide até escrever ao tio, de modo a explicar-lhe que vai casar.

Duas noites antes do casamento acontece algo estranho, que mais tarde Jane conta a Edward, alguém lhe entra no quarto, acordando-a. Quando tal acontece vê uma pessoa um tanto selvagem, com a cara um pouco desfigurada junto a si, vê-a abrir o guarda-vestidos, tirar o seu véu e desfazê-lo. Mais um acto cobarde de Rochester que poderia e deveria ter contado à pessoa que diz amar, o que se passava realmente e não fazê-la de tola. Acredito que a pudesse amar profundamente e que precisasse de sentir que o amor era correspondido, mas também acho que ela merecia melhor e que o simples facto de amor alguém, não justifica tudo, muito menos fazer essa mesma pessoa sofrer.

Esta fase termina com Jane a acordar para o dia do casamento. Confesso que já li mais do que a fase estipulava e aquilo que tinha ideia da série concretizou-se, mas vamos ver como correm as coisas.


Estou a gostar bastante desta leitura, gosto bastante da Jane, da sua frontalidade, simplicidade e dedicação. Acho o Mr. Rochester um homem interessante, misterioso, mas ao mesmo tempo um pouco estranho. Sei que o porquê de ele ser assim, mas as suas mudanças de humor, os seus desaparecimentos repentinos, fazem-me alguma diferença. Sei que Jane gosta dele mesmo tendo em conta estes factos e o amor é mesmo assim. Amar alguém não ligando a defeitos e qualidades, novamente ela tem razão o que é feio, bonitos no parece. Já para não falar que foi um homem que sofreu muito e que teve de lidar com tudo isso sozinho, o que certamente não foi fácil.

Gosto bastante de algumas alusões que a autora faz, quando compara o casal a uma árvore junto da mansão, por exemplo e que realmente parece a personificação de ambos. Considero a linguagem bastante fluida, ao contrário do que estava à espera inicialmente. Sendo tudo factores que me levam a dizer que está ser uma óptima leitura e uma surpresa agradável.


Podem também ler a opinião da p7, aqui...

45 Dias de Desafios Literários - Dia 42: Livro que adoravas e agora detestas


Vou ter de dar a mesma resposta que dei no Dia 8: Livro tão mau, tão mau, que consegue ser bom, a saga Luz e Escuridão, da Stephenie Meyer. 

O porquê de tal escolha reside em ter gostado bastante quando a li a primeira vez, de tal forma que me impulsionou para o mundo literário, mas que quando a tentei reler momentos mais tarde, se mostrou aquém daquilo que me tinha parecido à primeira vista.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

45 Dias de Desafios Literários - Dia 41: Livro que é um “guilty pleasure”

Este foi um dos dias mais difíceis para mim porque inicialmente não estava a conseguir perceber o que seria suposto responder neste dia. Todavia, depois de pensar um pouco mais e de coscuvilhar as respostas de outras pessoas que sigo, acabei por eleger a saga Predadores da Noite da Sherrilyn Kenyon.


Os Pedradores da Noite são homens que defendem os humanos dos Damion, que tentam apropriar-se das suas almas, de modo a subsistirem através delas. Cada um dos volumes representa, assim, um casal, em que a personagem masculina pertence a esta "irmandade".

Ainda só li o livro "Amante de Sonho", mas penso que são obras leves, boas para passar o tempo. Livros esses que mesmo não sendo obras primas, nem tão pouco deveras originais, é um prazer acompanhar, mais não seja para poder descontrair um pouco.

domingo, 21 de agosto de 2011

45 Dias de Desafios Literários - Dia 40: Autor(a) cujo talento invejas

Poderia mencionar todos os autores que mencionei no dia do autor preferido, mas os três que mais me dizem são a Jodi Picoult, o George R. R. Martin e a Robin Hobb.


A Jodi porque consegue escrever sobre temas bastante controversos, que todos já ouvimos falar e que nos colocam a pensar qual seria a nossa reacção e de que modo conseguiríamos dar a volta por cima. Também porque sabe descrever-nos bem as emoções das personagens, permitindo ligar-nos imensamente às mesmas. Além disto escreve num dos géneros que mais me dizem e no qual adoro escrever. Penso até que é uma autora que marca a diferença dentro do género.

O Martin porque é um autor soberbo, desde as suas descrições fantásticas, que quase nos fazem sentir como se estivéssemos juntamente com os personagens, à sua capacidade de nos surpreender e de levar-nos a mudar de ideias constantemente. Além disto criou duas das minhas personagens preferidas, Joshua York e Tyrion Lannister, que se encontram bastante humanas, onde os seus receios e desejos se encontram bem representados, de tal modo que é impossível não sentirmos uma grande ligação com eles, ficarmos felizes com as suas vitórias e tristes com as suas perdas.

A Hobb porque conseguiu criar uma estória fantástica tendo como base uma única frase. Por ser autora de um mundo fantástico e tremendamente fascinante, que cada vez mais me agrada. Sendo, para mim, das melhores autoras dentro do género, seguidamente do Martin, tanto pelo seu mundo interessante, como pelas suas personagens fascinantes. 

Sangue Felino


Nome: "Sangue Felino"

Autora: Charlaine Harris

Colecção: bang!

Nº de Páginas: 288

Editora: Saída de Emergência

Sinopse: "Traída pelo seu namorado vampiro de longa data, Sookie Stackhouse, empregada de bar do Louisiana, vê-se obrigada não apenas a lidar com um possível novo homem na sua vida (Quinn, um metamorfo muito atraente), mas também com uma cimeira de vampiros há muito agendada. Com o seu poder enfraquecido pelos estragos do furacão em Nova Orleães, a rainha dos vampiros locais encontra-se em posição vulnerável perante todos aqueles que anseiam roubar o seu poder. Sookie vê-se obrigada a decidir de que lado ficará. E a sua escolha poderá significar a diferença entre a sobrevivência e a catástrofe completa..."


Opinião: Sookie é incutida pela Rainha do Louisiana, Sophie-Anne, a estar presente na cimeira de vampiros, onde a rainha irá ser julgada pelo assassinato do seu marido, Peter Threadgill, Rei do Arkansas. Como foi testemunha de tal acontecimento e porque estarão presentes humanos, os seus dotes como telepata, são assim essenciais.


Tal como já mencionei por diversas vezes no blogue, esta é uma das sagas que mais me dizem e à qual mais devo porque foi das primeiras coisas que li, contudo não me tem conseguido surpreender  e agradar sobremaneira nos últimos volumes, o que é uma pena. Tenho sentido desde o “Sangue Oculto” alguma quebra nos livros da Charlaine Harris e este não foi excepção, não sei se por ter embrenhado mais no mundo do fantástico e consequentemente me ter tornado mais exigente ou se devido a já não emergir neste mundo há mais de um ano. 

Ressalvo como aspectos positivos desta leitura a homenagem feita pela autora às vítimas do Katrina; a acção e suspense, que são sempre uma constante nas obras da Harris. Gostei também da implementação de outras criaturas sobrenaturais e de conhecer um pouco das suas origens e, por fim, a ligeira aproximação do Eric e da Sookie.

Como aspectos negativos terei de mencionar a relação entre a Sookie e o Quinn, não o afirmo por o Eric ser a minha personagem preferida e por gostar que ficassem juntos, mas porque não consigo sentir grande química entre eles. Achei o livro previsível quanto ao desenrolar da trama e senti falta da capacidade da CH de me arrancar uma gargalhada.

Foi, desta forma, uma obra que se leu bem, li-o num dia e meio, mas que não trouxe nada de novo e que não me conseguiu surpreender. Termino este livro com a expectativa que os seguintes volumes sejam melhores.


Avaliação: 2/5 (Está ok!)

sábado, 20 de agosto de 2011

45 Dias de Desafios Literários - Dia 39: Livro que custou a ler

Enquanto olhava para a minha estante, tentando lembrar-me de um livro, que ainda não houvesse mencionado anteriormente, recordei-me que houve um livro que me custou a ler e que na verdade decidi adiar a sua leitura para mais tarde, por volta da página 70 ou 80, porque não estava a conseguir gostar do mesmo e que acabei por não lhe voltar a pegar.

O livro que refiro é o "Quantas madrugadas tem a noite" de Ondjaki, que me causou grande diferença devido à linguagem utilizada, pois possuía demasiado calão. 

Recentemente li opiniões sobre o livro que diziam valorizar a linguagem utilizada pelo autor, acrescentando que a  mesma tem um propósito, contudo pessoalmente, nas poucas páginas que li, não consegui captar tal intuito. 

Mesmo assim não fico indiferente a estas opiniões, que consideram a obra bastante boa, com uma mensagem interessante e que todos devemos ter em mente. Desta forma, estou decidida a tentar lê-lo outra vez, até porque sei que "desisti" demasiado cedo da obra...

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

45 Dias de Desafios Literários - Dia 38: Livro para os dias solarengos

Para o dia de hoje elejo "O Recife" da Nora Roberts, que foi um pouco com o dia de ontem, quase instantâneo, e que penso ser a melhor escolha para esta  categoria.

Na obra, Tate Beaumont, uma doutorada em arqueologia marinha, procura descobrir tesouros esquecidos no fundo do mar, devido ao naufrágio de barcos, ao longo dos séculos. 
A primeira descoberta feita por Tate, sua família e os parceiros Nuck e Mattew Lassiter é um barco espanhol, o Santa Marguerite, portador de fabulosos tesouros. Contudo, Buck é atacado por um tubarão e quando retomam ao barco, tudo aquilo que haviam descoberto fora roubado, causando a separação do grupo. 
Oito anos mais tarde, Tate e a família decidem procurar o navio Isabelle, de modo a localizar a Maldição de Angelique e para que tal seja possível voltam novamente a juntar-se ambas as famílias.

"O recife" é assim uma obra cheia de bonitas imagens do fundo do mar, com incríveis descobertas, polvilhada de suspense e amor. Óptimos ingredientes para um dia quente de verão.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

45 Dias de Desafios Literários - Dia 37: Livro para os dias chuvosos


Este foi um dos dias mais simples para mim de eleger, contudo dos mais difíceis de explicar. 

Antes mesmo de começar o desafio pensei em algumas respostas a dar a cada um dos dias, sendo que este foi um desses exemplos, embora não saiba bem justificar porque me assaltou ele à memória. 

"Procuro-te" da Lesley Pearse retrata a procura de Daisy pela sua mãe biológica, após o falecimento da sua mãe adoptiva que a incute a procurá-la. 
Neste livro temos vários ingredientes, uma parte Histórica, em que vemos a evolução da sociedade britânica ao longo de 40 anos; um toque de mistério, enquanto esta menina procura a sua mãe e constata que a mesma parece ter um passado conturbado, mas também uma pitada de amor e suspense.

Penso que o "Procuro-te" é um livro agradável, que se lê bastante bem e parece-me ideal para aqueles dias em que a chuva e o frio se fazem sentir lá fora e só nos apetece ficar em casa, aconchegados numa manta e na companhia de um bom livro. 

Leitura Conjunta - "Jane Eyre" de Charlotte Brontë (1ª Parte)

Embora houvesse terminado a leitura no prazo estipulado, só hoje tive disponibilidade de passar para o papel o que achei desta primeira fase da leitura conjunta. Antes de mais ressalvo que esta minha opinião contém spoilers do livro e algumas opiniões minhas relativamente aos momentos presenciados. Podem também ler a opinião da p7, no seu blogue Bookeater/Booklover

Jane vive com os tios, desde que perdeu os seus pais. Mr. Reed, irmão da mãe de Jane, ao falecer, incute a esposa a tomar conta da sua sobrinha e a dar-lhe um bom futuro. Contudo, as coisas acabam por não ser assim tão fáceis como o tio poderia prever, pois o seu filho mais velho é hostil para com Jane, agredindo-a e ofendendo-a, sendo que a sua mulher não gosta igualmente dela, tratando-a quase como se fosse uma criada pertinente e respondona.
Penso que muito do facto de não gostar da sobrinha, reside na sua maneira de ser, porque embora tenha somente 10 anos, expressa-se e possui perspectivas de um adulto, já para não falar que é tímida, calada e reservada, aspectos que não parecem agradar à tia. Ao ser tratada desta forma, Jane acaba por se tornar indignada para com injustiças, o que veio “vincar” a sua personalidade, que pessoalmente considero forte, para sempre.

Durante um episódio passado com o primo, Jane é acusada de ser mentirosa por parte da tia, que a envia para Lowood, uma instituição que acolhe raparigas órfãs e que lhes dá uma educação severa, onde existem horários estipulados para as mais elementares tarefas, onde as estudantes sofrem várias privações, tanto alimentares, como mesmo em termos de vestuário.

Ao chegar à instituição conhece na hora do recreio uma menina, Helen Burns, e tornam-se desde logo amigas, amizade tão pura e especial que nos toca, mesmo sendo bastante diferentes entre si. Helen possui alguns problemas de concentração e de aprendizagem, contrariamente ao que acontece com Jane, só conseguindo estar atenta durante determinada fracção de tempo ou num assunto que lhe chame verdadeiramente à atenção, mas por outro lado muito crente e devota a Deus, pensando que todas as provações que esta Entidade coloca no seu caminho são com um propósito e que deve sempre encarar os problemas como justos e portadores de uma mensagem que tem de ser apreendida para poder prosperar.

Um dos momentos mais sentidos desta primeira parte reside igualmente entre estas duas meninas, quando Lowood é assolada por uma epidemia de febre tifóide, muito devido às condições da instituição, onde o alimento era escasso e durante o Inverno passavam tanto frio que os seus pés ficavam em ferida, sendo que certa vez, até nos é dado a conhecer que não puderam lavar-se de manhã porque o frio durante a noite fora de tal forma que a congelara, muitas são as alunas que, infelizmente, perecem, sendo uma delas Helen.
Deste episódio nem todos os aspectos são negativos, pois esta epidemia causa polvoroso entre pessoas caridosas, que ao constatarem as condições em que estas meninas viviam, investem na mesma e melhoram-na.

Jane vive na instituição durante 8 anos, até ao momento em que a professora de quem mais gosta e que melhor a fez sentir, se casa. Tornando-se uma mulher inteligente, perspicaz, mas um pouco menos impulsiva, do que era menina. Portadora de uma curiosidade pelo mundo e pelo que o mesmo lhe possa oferecer grande, o que a leva a colocar um anúncio de modo a arranjar um emprego como preceptora.

Acaba por receber resposta da governanta Mrs. Fairfax, de Thornfield Hall, que requere os seus serviços para tomar conta de Adèle Varens, a pupila do dono da casa, que se encontra a maior parte do tempo fora. Embora a casa tenha alguns aspectos mais bizarros e que dão que pensar a Jane, acaba por se sentir em casa e de gostar de ensinar Adèle, que embora seja vaidosa e um pouco distraída, consegue melhorar significativamente graças a ela.

Momentos mais tarde quando Jane, ao ir colocar uma carta no correio, vê um homem a ser derrubado pelo seu cavalo e ao tentar ajudá-lo, percebe que tem um feitio peculiar e algo brusco. Quando chega a casa percebe que afinal o desconhecido é Mr. Rochester, o dono da mansão, que a inquere sobre os seus gostos e talentos.


Pessoalmente, estou a gostar bastante da leitura, está a ser bastante agradável. Tanto em termos de estória, que é bastante interessante, o percurso de Jane, o que a tornou naquilo que é actualmente e agora na nova casa e tudo o que a mesma parece esconder, mas também toda a personalidade da Jane, o facto de ser tímida, reservada e ao mesmo tempo sempre com uma resposta pronta e que sabe sempre o que dizer e quando o fazer. 

À medida que vou lendo, vou também recordando o que vi na série, embora não tenha visto o primeiro episódio, que devia ser representativo desta primeira parte que acabo de comentar, vai-me vindo à memória alguns episódios posteriores e por isso estou ansiosa por continuar a ler.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

45 Dias de Desafios Literários - Dia 36: Personagem literária que não quererias encontrar num beco

O Julian Damon da obra "Sonho Febril" do George R. R. Martin porque é um vampiro antiquíssimo, poderoso e imensamente perigoso. Sendo um personagem possuidor de uma carga psicológica incrível, que perdeu parte da sua paixão de viver e que é capaz das coisas mais atrozes, que possamos imaginar.

Embora seja uma uma personagem interessantíssima, que para mim que adoro Psicologia me suscitou um enorme interesse, pelo que lhe ia na cabeça e quais as suas motivações, era alguém que não gostaria de forma alguma de encontrar num beco, devido ao que presenciamos ao longo da obra.


Sem ser este personagem, o assassino do livro "Os Homens que Odeiam as Mulheres", do Stieg Larsson. Não menciono nomes porque tenho receio que alguém que ainda não tenha lido a trilogia veja este comentário, mas, sem dúvida, que era outra personagem que não gostaria de encontrar, pelas atrocidades que o mesmo é capaz de fazer.

45 Dias de Desafios Literários - Dia 35: Personagem literária para a qual escreverias um livro

Esta pergunta é de difícil resposta porque embora goste de escrever e, por vezes, o faça, pois é quase como uma forma de escape, sei que nunca conseguiria igualar a qualidade do autor do livro em questão.

"Sonho Febril" é um dos meus livros preferidos, tanto por mencionar o mundo vampírico de uma forma excepcional e original, mas também devido às personagens e à forma como o George Martin se propõe a contar a sua estória. 

Já mencionei, algumas vezes, no blogue, que o Martin é um dos meus autores preferidos e tal deve-se muito à sua forma de construir a trama, de nos descrever os acontecimentos e emoções das personagens e personificação das mesmas. Sendo que muito do facto de a eleger com uma das minhas obras preferidas reside nas personagens patentes na mesma. 

Enquanto pensei em que resposta dar a este dia, recordei-me que foi graças a este livro que conheci um das minhas personagens preferidas e que infelizmente me esqueci de mencionar no dia destinado há Personagem Preferida, o Joshua York. Por ser alguém que cometeu alguns erros ao longo da sua vida, mas que deu a volta por cima e que tentou ao máximo ser melhor pessoa e redimir esses mesmos infortúnios. É também alguém com uma força de vontade e determinação incríveis, que tem os seus ideais bem vincados e que é capaz de sofrer várias provações de modo a alcançá-los. 


Afirmo que escreveria um livro sobre ele, de modo a poder passar para o papel, o que hipoteticamente fez e ultrapassou antes de propor a parceria com Abner Marsh, ou seja, antes do início da obra, mas também o que lhe aconteceu depois da obra terminada.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

45 Dias de Desafios Literários - Dia 34: Personagem literária secundária que merecia um livro só dela

O Bobo, da Saga Aprendiz de Assassino, da Robin Hobb, porque é das personagens secundárias que mais gosto, por ser deveras misterioso e ao mesmo tempo engraçado e subtil. Bobo é uma personagem que me consegue arrancar alguns sorrisos, quando goza com Fitz ou com o curandeiro do Rei Sagaz. Bobo é alguém que adorei conhecer, até porque gosto bastante das suas brincadeiras, profecias e até loucuras. Tendo diálogos bastante cativantes, que tanto nos fazem rir, como nos fazem ficar presos à narrativa, ao tentamos perceber o que pretende dizer nas entrelinhas.

Além disto é uma personagem que tem um passado, que até ao momento, desconheço e que me suscita muito interesse, pois não sei praticamente nada a respeito dele, embora tenha algumas suspeitas.

Memórias de uma Gueixa


Nome: "Memórias de uma Gueixa"

Autor: Arthur Golden

Colecção: Grandes Narrativas

Nº de Páginas: 488

Editora: Editorial Presença


Sinopse: "Quioto, anos 30. Sayuri tem olhos cor de espelho e é uma das mais famosas gueixas do Japão. Acompanha cidadãos japoneses abastados, enverga deslumbrantes quimonos de seda mas tem de pagar pela sua própria liberdade até conhecer um danna que a sustente e pague todas as suas despesas. Na sua vida, tal como na de todas as gueixas, não há lugar para o amor, mas Sayuri apaixona-se... Um romance ímpar e contagiante que demorou dez anos a escrever."


Opinião: Confesso que antes de começar esta leitura possuía algumas ideias pré-concebidas, estando à espera de uma obra com uma linguagem mais antiquada ou moralista, mas a verdade é que me surpreendeu bastante pela positiva.

“Memórias de uma gueixa” relata a vida de Chiyo Sakamoto, que é enviada pelo pai para Quioto, juntamente com a irmã, Satsu, no momento em que percebe que irá perder a sua mulher num futuro próximo e que as filhas poderiam ter um futuro mais risonho se partissem.

Ao chegar a Quioto as duas irmãs são separadas e enviadas para locais diferentes. Sendo que Chiyo acaba por ser criada numa Okiya, que é o local onde as gueixas habitam enquanto exercerem essa função. Neste local conhece algumas das pessoas mais importantes da sua vida, mas também algumas que pior lhe farão. A oka-san (palavra japonesa para mãe) e a Avó que são particularmente severas para com ela e que a tratam quase como se fosse uma escrava; Hatsumomo, uma das gueixas que habita nesta Okiya e que é das mais importantes e belas gueixas desta época, que parece nutrir um ódio inexplicável por Chyio e que a importuna ao longo de grande parte da obra; Abóbora, que é uma menina da sua idade e que à partida esperava-se que se tornassem grandes amigas e se auxiliassem, mas que na verdade acaba por não acontecer, muito devido a Hatsumomo e a Tia, que foi quase como uma mãe para Chyio e que foi importante na sua caminhada enquanto criança e gueixa, embora um pouco severa, sentia-se que nutria bonitos sentimentos por ela.

Gostei bastante da estória, desde os primeiros momentos em que a pequena Sakamoto é enviada para um mundo completamente diferente, como em todo o seu crescimento e luta por ser uma gueixa de sucesso. Senti uma grande ligação com ela não só porque se trata de uma estória escrita na primeira pessoa e onde acompanhamos o crescimento desta menina, mas também por todos os contratempos que atravessou ao longo da sua vida e porque Arthur Golden descreve-nos bem os sentimentos de Chyio (ou depois de se tornar gueixa Sayuiri).

Toda a narrativa é bastante visual, polvilhada de imagens lindíssimas de quimonos, obis, ornamentos de cabelo, danças, meios de transporte da altura, as ruas de Quioto, entre tantos outros exemplos. Tendo-me sido inicialmente difícil visualizar tudo o que era descrito, o que me valeu foi o que me lembrava do filme, que vi parte dele em tempos, e umas pesquisas pela internet. O mais incrível desta introdução ao mundo japonês é que não é de modo algum maçudo, muito pelo contrário, extremamente interessante e real.

Os pontos positivos que aponto é toda esta informação que conseguimos obter sobre esta cultura fantástica, retratando este mundo de forma deveras fascinante e que quase nos teletransporta para lá, graças às suas incríveis descrições. A forma como o autor descreve esta personagem deliciosa e aos seus dilemas, tal como a incursão de algumas palavras japonesas, que me agradaram especialmente.

O ponto negativo, para mim, centra-se na tradução dada ao livro, pois por várias vezes senti que a narrativa não estava tão fluida quanto seria de se esperar e algumas vezes tive de reler a mesma frase, de modo a perceber o intuito da mesma.

Foi, desta forma, um livro bastante interessante e que aconselho vivamente, pois é fascinante conhecer a comunidade japonesa e um pouco mais do mundo das gueixas, que me surpreendeu, pois tinha algumas ideias pré-concebidas, que se mostraram erradas.

Por curiosidade, gueixa consiste em dois kanji (caracteres japoneses)  (gei) e  (sha), que significam "arte" e "pessoa" ou "praticante", respectivamente.


Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)